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POR CRISTIANE SENNA
organicos
Algumas pessoas se tornam vegetariana pela libertação animal e outras em busca da boa saúde, mas há um motivo muito importante que deve ser considerado por todos: a ação impactante que a pecuária tem sobre o meio ambiente. Em entrevista a ÉPOCA Online, o biólogo e ativista Sérgio Greif explicou um pouco mais sobre o assunto.

Impacto ambiental de uma dieta centrada na carne

A pecuária representa uma das atividades humanas mais impactantes para o meio ambiente, consumindo grandes quantidades de água, grãos, combustíveis fósseis, pesticidas e drogas. Esta atividade é também a principal causa por trás da destruição das florestas tropicais e outras áreas naturais, além de grande responsável por outros impactos ambientais, como a extinção de espécies, erosão do solo, escassez e contaminação de águas, desertificação, poluição orgânica e efeito estufa.

CONTAMINAÇÃO

A pecuária consome grandes quantidades de recursos, gerando resíduos e gases que contaminam o solo, a água e o ar

Destruição da flora e fauna natural

A maior parte do gado brasileiro é criada pelo sistema extensivo, onde os animais permanecem soltos no campo, ocupando vastas áreas. Neste sistema, considerado pouco produtivo, cada cabeça de gado necessita de um hectare (10.000 m²) de terra para engordar. O Brasil possui o maior rebanho comercial do mundo (mais de 200 milhões de cabeças), que necessita de uma área de pastagem de, no mínimo, 2 milhões de km² para ser sustentado. Esta área equivale a um quarto do território nacional. Estas pastagens eram anteriormente áreas naturais como cerrados, florestas tropicais, entre outros.

Não São Só os Coelhos Que Se Alimentam de Verde

Se engana aquele que pensa que quem se alimenta de verde são só os coelhos. O vegetarianismo está ganhando cada vez mais adeptos, a maioria motivada pelo fim da crueldade com os animais, outros que apenas não gostam do gosto da carne. Se você ainda oferece frango para o seu amigo que não come carne, aprenda já a diferenciar os diferentes tipos de vegetarianos. A começar pelo fato de que todo vegetariano não come nenhum tipo de carne.O gênero mais comum do vegetarianismo é aquele que exclui de sua alimentação todo tipo de carne branca e vermelha. Já o vegetariano estrito, além de não comer carne, também não ingere nenhum tipo de alimento de origem animal, assim como mel, ovos, leite e laticínios. Apesar do nome complicado, os ovolactovegetarianos comem produtos de origem vegetal, leite e derivados, e claro, nenhum tipo de carne. Os lactovegetarianos comem produtos de origem animal, mas nada de ovos, nem carne. Essa é a dieta adotada por milhões de indianos.Há também aqueles que seguem o crudivorismo, dieta para quem prefere os alimentos crus. Os crudívoros acreditam que os alimentos perdem as suas propriedades benéficas quando são preparados ao fogo. Alimentos desidratados ou preparados de forma a não perderem seus nutrientes também fazem parte da alimentação dessa galera. Mais radicais ainda são os frugívoros, que comem apenas frutas. Se você está pensando em como esse pessoal consegue parar em pé, não se assuste. Lembre-se que, pelo conceito botânico, alimentos como tomate, nozes, pepino e outros grãos, também podem ser considerados como frutas.
Os benefícios da dieta vegetariana são muitos. Além de ser pobre em gordura saturada, colesterol e contaminações, acredita-se que essa dieta ajude a diminuir o risco de doenças como a osteoporose, problemas cardíacos e até câncer. Mas, antes de se tornar vegetariano, o ideal é receber a orientação de um nutricionista, pois é preciso ficar atento ao que se ingere para ter a quantidade ideal de nutrientes diários, principalmente para compensar a falta da proteína que vem da carne. Você também pode encontrar proteína em alimentos como ovos, cogumelos, feijão, soja, grão de bico e lentilha. Fique ligado à sua saúde e dê uma força para os animais!

Redação Custom Editora

Ser Vegetariano: Uma Escolha Sustentável

Discorrer do tema vegetarianismo no mundo em que vivemos hoje, deixou de ser uma simples filosofia de vida defendida por uma pequena massa, para se tornar parte integrante das discussões/ preocupações/ soluções sobre Meio Ambiente e Sustentabilidade.
Podemos tomar como base os diversos artigos aqui já publicados por outros autores, em defesa de um consumo mais consciente, livre de desperdício e supérfluos.Tentando ir um pouco mais além, é importante que voltemos ao passado, poderemos verificar que na história de nossos antepassados, chegando ao representante bípede, Australopithecus, descobrimos que esse possuía uma dieta restritamente a base de frutas, seus dentes eram adaptados a um tipo
de dieta vegetariana, somente com uma grande crise climática que assolou a África há mais de 4 milhões de anos, que esses se viram deparados com uma oferta muito escassa dos hábitos alimentares precedentes, e a busca por alimento passou a ser de acordo com o que encontravam dispostos. Inicialmente, alimentavam-se de cadáveres de animais abandonados por animais carnívoros, o homem “prévio” e o atual nunca foi equipado para a caça ou alimentação carnívora.
Simplesmente nunca dispusemos de garras ou presas que pudessem perfurar, rasgar ou cortar carne ou couro crus. E bom pautar aqui e questionar o que a sociedade e a “cultura” acabam nos impondo implicitamente como verdades absolutas… Consta que somamos milhões de vegetarianos espalhados pelo mundo, que viveram ou vivem suas vidas no decorrer da história, de forma plena e saudável. Estudos apontam que quem é vegetariano, vive mais, melhor e livre de doenças que afligem os “carnívoros”.Se no passado havia pouca disponibilidade de alimentos de origem vegetal devido à crise citada anteriormente, hoje a partir da produção de inúmeras variedades de cereais, leguminosas, oleaginosas, hortícolas e frutos o ser humano tem a chance de preservar o planeta e a si mesmo. As estimativas do que se gasta na produção de carne é assombrosa, o enorme desperdício de recursos naturais têm como consequência grave conflitos sociais, ambientais e econômicos. O desmatamento decorrente da abertura de novas pastagens ou agricultura para abastecimento de produtos animais é um dos motivos mais alarmantes de emissão de CO². Quando se derruba uma floresta, o carbono da vegetação que antes existia, escapa para a atmosfera, as queimadas e a decomposição da matéria orgânica colaboram para essa emissão também, além da emissão de outro gás, o segundo na lista de que deve ser controlado, metano, que é emitido através da criação de gado, de algumas plantações e do tratamento inadequado do lixo e esgoto. Os desejos dos animais, que num passado eram prontamente integrados na natureza, hoje, produzidos em larga escala, acabam por ser um dos agravantes na poluição e contaminação de solos e água.

Não há dúvidas que dispomos de solo fértil, energia e água para alimentar toda a população mundial, o que deve urgentemente ser modificado é a forma de distribuição, a luta contra a fome, deve ser travada concomitante à luta contra o desperdício, à favor da igualdade, por um mundo justo e mais saudável. E nunca é demais enfatizar as questões que permeiam o bem estar animal e seus direitos, que hoje são descaradamente ignorados pelo consumo cego do modo de vida ocidental-superficial. Repensar nossos hábitos é parte do progresso do nosso planeta.

Biológa Livia Brito

Razões para uma dieta vegetariana

Entre outras razões para adotarmos uma dieta vegetariana destacam-se as seguintes: anatômicas e fisiológicas, higiênicas, de saúde, econômicas, estéticas, ecológicas, éticas, espirituais e religiosas.1. Anatômicas e fisiológicas
O estudo comparativo da anatomia e fisiologia dos animais carnívoros, herbívoros e frugívoros demonstra que a dieta frugívora e herbívora é mais adequada ao homem. Os seguintes dados são um resumo de tais estudos.Carnívoros
1. Tem garras.
2. Não tem poros. Transpiram pela língua.
3. Dentes caninos frontais alongados, fortes e pontiagudos para rasgar a carne.
4. Ausência de dentes molares posteriores para triturar alimentos.
5. Glândulas salivares pequenas na boca (glândulas bem desenvolvidas são necessárias na pré-digestão de cereais e frutas).
6. Saliva ácida.
7. Ausência de ptialina, enzima responsável pela pré-disgestão dos cereais.
8. Trato intestinal 3 vezes o tamanho do corpo, para que a carne em decomposição possa ser eliminada rapidamente.
9. Estomago simples e arrendondado.
10. Forte concentração de ácido clorídrico no estomago para digerir a carne.
11. Cólon liso.
12. Urina ácida.
13. Mandíbula alongada para a frente.
14. Alimento: carne.

Frugívoros

1. Não tem garras.
2. Transpiram por meio de milhares de poros.
3. Ausência de dentes caninos frontais pontiagudos.
4. Dentes molares posteriores achatados, para triturar.
5. Glândulas salivares bem desenvolvidas.
6. Saliva alcalina.
7. Profusão de ptialina, para pré-digerir cereais.
8. Trato intestinal 10 a 12 vezes o comprimento do corpo.
9. Estomago com um duodeno como segundo estomâgo.
10. Ácido do estomago 20 vezes menos concentrado que carnívoros.
11. Cólon convoluto.
12. Urina alcalina.
13. Mandíbula curta.
14. Alimento: frutas e nozes.

Herbívoros
1. Não tem garras
2. Transpiram por meio de milhares de poros.
3. Ausência de dentes caninos frontais pontiagudos.
4. Dentes molares posteriores achatados para triturar.
5. Glândulas salivares bem desenvolvidas.
6. Saliva alcalina.
7. Profusão de ptialina, para pré-digerir cereais.
8. Trato intestinal 10 a 12 vezes o comprimento do corpo.
9. Estomago em três ou quatro compartimentos.
10. Acido dos estomago 20 vezes menos concentrado que nos carnívoros.
11. Cólon convoluto.
12. Urina alcalina.
13. Mandíbula levemente alongada.
14. Alimento: grama, ervas e plantas.

Homem
1. Não tem garras
2. Transpira por meio de milhares de poros.
3. Ausência de dentes caninos frontais pontiagudos.
4. Dentes molares posteriores achatados, para triturar.
5. Glândulas salivares bem desenvolvidas.
6. Saliva alcalina.
7. Profusão de ptialina, para pré-digerir cereais.
8. Trato intestinal 10 a 12 vezes o comprimento do corpo.
9. Estômago com um duodeno como segundo estômago.
10. Acido do estômago 20 vezes menos concentrado que nos carnívoros.
11. Cólon convoluto.
12. Urina acida com dieta carnívora, neutra ou alcalina com dieta vegetariana.
13. Mandíbula curta.
14. Alimento: deveria viver de cereais, vegetais, frutas e nozes.

Como podemos ver, os animais mais próximos do homem, anatômica e fisiologicamente, são os frugívoros ou herbívoros. Várias características indicam diferenças pronunciadas entre os animais herbívoros e frugíveros e os carnívoros, mas vale a pena destacar o comprimento do intestino, que nos carnívoros é, aproximadamente, 3 vezes o comprimento do corpo, enquanto que no homem é cerca de 12 vezes. Isto faz com que os carnívoros tenham uma digestão bastantes rápida, eliminando a seguir tudo o que não é absorvido. Já o homem tem uma digestão muito lenta, por ter um intestino longo. Isto faz com que a carne, que já estava em processo de decomposição desde a morte do animal, continue a decompor-se no interior de seu intestino, causando problemas de saúde por causa das toxinas liberadas, irritações causadas etc.
Um dos melhores indicadores de que a alimentação vegetariana é a mais apropriada ao homem, contudo, são os muitos benefícios para a saúde encontrados em dietas à base de vegetais e as numerosas enfermidades ligadas ao consumo da carne. Além disso, pela analise química e comparação das propriedades nutritivas dos vegetais e da carne, observamos que é possível obtermos do reino vegetal o suficiente para a constituição dos tecidos e a nutrição do corpo.

2. Higiênicas
A carne deteriora-se com enorme rapidez. A decomposição inicia imediatamente após a morte e só é percebida pelo olfato quando já alcançou um estado avançado. É a principal fonte de putrefações intestinais: mesmo cozida contém toxinas microbianas em grande quantidade. Além disso, pela sua própria composição favorece a proliferação de micróbios nos intestinos e aumenta a flora putrefativa, em lugar da flora ácida normal.
A média de germens, de 65.000 por mm3 de fezes, no creófago (comedor de carne), baixa para 2.000 por mm3 no vegetariano. Esses germens produzem putrefação e extinguem os germens saprófitos, benfeitores, daí a freqüência de apendicite, diverticulite, colite e enterite, entre aqueles que comem carne.
Os creófagos produzem fezes e suores fétidos, e tem seu paladar e olfato embrutecidos para sabores delicados e fragrâncias sutis.

3. De saúde
Do ponto de vista da saúde, o regime vegetariano é amplamente favorável. Segundo a Dra. Jacqueline André (André, 1990), o consumo excessivo de carne é nocivo por muitas razões:
. a carne é rica em gorduras, favorecendo a ateromatose e o infarto do miocárdio, os cânceres colorretais e a obesidade.
. O fato de ser rica em colesterol faz dela uma causa de cânceres hormonodependentes (mama, próstata, útero).
. Seu alto teor de protídeos pode torná-la um fator de insuficiência renal. Além disso, o cozimento prolongado ou sob altas temperaturas de suas proteínas provoca a formação de agentes mutagênicos, que podem iniciar um câncer.
. O fato de ser rica em ácidos nucléicos faz dela um fator de cálculos urinários, hiperuricemias e gota.
. Os resíduos de antibióticos nela contidos podem muito frequentemente, causar alergias.
. Os antibióticos, de cujo uso (veterinário ou a título de aditivos alimentares) a preparação industrial da carne necessita, são um fator de resistências transferíveis.
. A rápida impressão de saciedade que a ingestão provoca pode levar o consumidor a reduzir exageradamente a porção de fibras vegetais em sua ração alimentar, o que é, sobretudo, um fator de constipação, de diabetes e de cânceres colorretais.
. Aquele que retira o essencial de suas proteínas da carne freqüentemente negligencia o consumo de leguminosas: disso podem resultar carências de magnésio, responsáveis principalmente por distúrbios do ritmo cardíaco, depressões nervosas e oxalato na urina.

Segundo as nutricionistas Vesanto Melina e Brenda Davis há um forte consenso de que a dieta vegetariana é mais saudável do que as que dão ênfase aos alimentos de origem animal. Além disso:
. Uma dieta vegetariana reduz o risco de doenças cronicas e degenerativas, como cardiopatias, câncer, diabetes, obesidade, osteoporose, doença da vesicula biliar e hipertensão.
. Uma dieta baseada em vegetais atende, com mais frequencia, às recomendações atuais quanto ao percentual de gordura, carboidratos e proteinas do que as dietas onívoras. Segundo estas recomendações devemos cortar as gorduras, sobretudo as saturadas, dar ênfase a graõs, frutas e vegetais e aumentar o consumo de fibras. Esta é uma tarefa muito simples para um vegetariano.
. Em uma dieta sem carne há menos possibilidade de contrairmos infecções bacterianas como por exemplo E. Coli, Camphylobacter ou Salmonella.
. Doenças como a encefalopatia espongiforme bovina (BSE ou doença da vaca louca), o vírus de leucemia bovina (BLV) e o vírus de imunodefiência bovina (BIV) encontrados em animais podem afetar a saúde humana.

O Dr. Alberto Lyra (Lyra, 1973) aponta, entre outros, os seguintes inconvenientes da carne como alimento:
. Alimento excitante. A carne é um excitante muito forte, equiparável ao álcool, devido às substâncias tóxicas e extrtivas dela provenientes. A sensação de vigor é esgotante, o que faz reclamar mais excitantes (álcool, açúcar, mais carne, etc.). Há aparência de vigor, devido à excitação, e cria-se um apetite enganador, porque faz repelir os alimentos usaves. Daí a depressão inicial naqueles que abandonam o uso da carne. Devido ao seu poder excitante, que faz gastar as reservas vitais, e ao seu poder tóxico, a carne é um dos fatores da abreviação da vida.
. Alimento que contribui para o aparecimento de diversas doenças e degenerações humanas. Apendicite, arteriosclerose, artritismo, eczema, enterite, gastrite, nefrite, reumatismo, úlcera gástrica, vegetações adenóides. Transmissor de doenças contagiosas e parasitárias: brucelose, intoxicações alimentares, salmonelose, tênia( solitária), triquinose, turberculose. No decurso de moléstias do fígado, dos rins, dos intestinos, da pele, de perturbações nervosas, não há melhor regime do que o vegetariano.

4. Econômicas

Do ponto de vista econômico, os cerreais represetnam a escolha lógica como alkimento principal. No Brasil , segundo dados fornecidos pelo IBGE e ténicos em agricultura (Instituto Cepa), um boi precisa de 3 a 4 hectares de terra e produz em média 210 quilos de carne, no período de 4 a 5 anos. Neste mesmo temp e nesta mesma quantidade de terra, colhe-se, no Brasil, em média, 19 toneladas de arroz. Ou 8 toneladas de feijão; ou 34 toneladas de milho; ou 32 toneladas de soja; ou 23 toneladas de trigo.Isto sem dizer que podemos obter 2 ou até 3 safras por ano deste cereais combinados, o que evidentemente aumenta o volume da produção, e também sem considerar que a produtividade destes cereaispode ser aumentada, e muito.
Assim, tomando por referência a proteína contida, por exemplo, no arroz (8%), comparada àquela que é encontrada na carne (18,6%), chegamos ao seguinte: se criarmos boi nos 3,5 hectares e nos 4, 5 anos em médiaque ele precisa para estar apto a ser consumido, teremos 39 quilos de proteína. Se plantarmos arroz nesta mesma quantidade de terra e no mesmo período de tempo, obtemos 1.520 quilos de proteína. Um homem de 70 quilos consome cerca de 70 gramas de proteína por dia. Isto significa que, se criarmos gado, teremos proteina para cerca de um ano e meio, enquanto que se plantarmos arroz teremos proteina para alimentar este homem por cerca de 60 anos. Ou, dizendo de outro modo, isto represetna multiplicar por 40 o número de pessoas que poderiam ser alimentadas.
Também é digno de nota o fato de que 85% do milho produzido no Brasil destina-se à alimentação de animais. Ou seja, além de o gado produzir menos alimento, ainda consome cereais e pasto.
Como regra geral é mais barato comprar protéina proveniente do reino vegetal do que a quantidade equivalente do reino animal. Mas o custo doalimento não é o único fator a ser considerado. Existem custos indiretos, inclusive custos médicos e outros ligados ao trtamento das águas, redução dos efeitos do desmatamento etc.

5. Estéticas

O comércio de carbe é uma das principais fontes de grosseria e brutalidade que há no mundo. O vegetarianismo promove beleza, refinamento e cultura. A comparação dos horríveis espetáculos, sons e odores de uma matadouro, com a beleza e o perfume de uma horta ou de um pomar não deixa lugar a dúvidas quanto a esta questão.

6. Ecológicas

A criação de gado devasta imensas áreas verdes naturais. O homem provoca desequilíbrio na Natureza ao alterar processos evolutivos normais de animais e vegetais. A demanda por carne barata é uma das principais causas da destruição das florestas tropicais e outras florestas em todo mundo. Isto contribui para a extinção das espécies e para a desetificação, além da poluição causada pelo dióxido de carbono. estudos recentes realizados nos Estados Unidos revelam que o rebanho bovino é responsável por pelo menos 12% do gás metano (uma das substâncias que mais influenciam no aumento da temperatura no planeta – efeito estufa) liberado para o meio ambiente. A indústria da carne é um dos agentes mais poluentes e que mais consomem água. O solo fértil também sofre com a criação de gado, que é uma das causas de seu esgotamento.
Segundo o Worldwatch Institute, “alimentar a população mundial com uma dieta baseada no estilo americano requereria duas vezes e meia a quantidade de grãos produzidos no mundo para todos os fins. Um mundo futuro de 8 a 14 bilhões de pessoas alimentando-se com a ração americana de 220 gramas diários de carne gerada a partir do consumo de grãos não passa de um vôo da fantasia”.

Os fatos:

. Quantidade de cereal e soja, em quilos, necessária para produzir um quilo de carne: 7*
. Número de pessoas que poderiam ser nutridas usando a terra, a água e a energia liberadas se os norte-americanos reduzissem seu consumo de carne em 10%: 100.000.000
. Quantidade, em quilos, de grãos e soja usados para produzir um quilo de alimento a partir de:
Carne de gado …… 7,2
Porco ……………….. 2,7
Galinha/ovo ………. 1,3

. Nutrientes desperdiçados para obter proteína animal alimentando gado com grãos e soja

Proteínas …………… 90%
Carboidratos ……… 99%
Fibras ……………….. 100%
. Pessoas que seriam alimentadas com cereais usados para gerar 225 g de carne: 40
. Quantidade de terra boa no mundo destinada a pastagens para o gado: metade
. Produtos comestíveis que podem ser produzidos em um hectare de terra boa em quilos:

Feijão ……………….. 11.200
Maçã ………………… 22.400
Cenoura …………….. 34.900
Batata ……………….. 44.800
Tomate ……………… 56.000
Carne…………………. 280
. Quantidade de soja cultivada nos Estados Unidos consumida pelo gado: 90%
. Quantidade de milho cultivado no Brasil consumido pelos animais de criação: 90%
. Quantidade total de grãos produzidos nos Estados Unidos consumidos pelo gado: 70%
. Quantidade da colheita mundial de grãos consumida pelo gado nos anos oitenta: Metade
. Quantidade total de energia gasta na agricultura dos Etados Unidos destinada à criação de gado: Quase a metade
. Atividade responsável pro mais de metade de toda a água consumida para todos os fins nos Estados Unidos: Criação de Gado
. Número de litros de água necessários, na Califórnia, para produzir 1 quilo de:
Tomate ……………… 39
Trigo ………………… 42
Leite …………………. 222
Ovos ………………… 932
Frango ……………. 1.397
Porco …………….. 2.794
Boi ……………….. 8.938

Taxa atual da extinção das espécies devido à destruição das florestas tropicais e seus habitantes para ceder espaço para a criação de gado: 1.000/ano
. Remédios disponíveis hoje derivados das plantas: um quarto

(*) Dados retirados, em boa medida, de : Our Food Our World, EarthSave Foundation, Santa Cruz.

7. Éticas

Do ponto de vista ético a carne em nossa mesa implica em crueldade com os animais, bem como com o próprio ser humano, uma vez que sua produção é anti-econômica e a quantidade de alimento produzido em uma mesma extensão de terra é muito menor do que quando dedicada à lavoura. Portanto, em um mundo onde a fome ainda é uma realidade para grande parte da família humana, torna-se, o comer carne, um hábito suntuoso, totalmente inaceitável.
A maneira como os animais são criados em espaços reduzidos, confinados em gaiolas ou em ambientes superlotados é cruel e desumana. Os animais são muito ligados à sua prole; quando criados confinados são impedidos de seguir seus instintos, o que os faz sofrer intensamente. A forma como são abatidos é primitiva e violenta. Os métodos para atordoa-los não são confiáveis e muitos são esquartejados, esfolados, queimados e e/ou depenados ainda vivos.
Os animais são transportados para o abate em condições péssimas, muitas vezes ficando sem alimento ou água por longos períodos de tempo. Em vista disso, muitos morrem a caminho do matadouro.

8. Espirituais

Do ponto de vista do aperfeiçoamento do corpo humano com vistas à realização espiritual, verdadeira finalidade de nossa existência, a carne também é totalmente rejeitada, seja porque não é um alimento de propriedades intrínsecas que favoreça a harmonia, o equilíbrio, o ritmo e a perseverança, que o espírito requer e busca, seja porque a compaixão, qualidade inerente ao florescer espiritual, também a exclui. Por tudo isto, ou simplesmente pelo motivo mais pessoal, porém também legítimo, de ter-se uma existência mais saudável e duradoura, a carne é invariavelmente desaconselhada.
É difícil compreender que alguém possa associar uma conduta espiritual e um corpo puro mantendo seu corpo com os elementos mais grosseiros, cuja obtenção necessariamente causa grande sofrimento físico e emocional aos animais. (Hodson, 1992)
É preciso salientar, contudo, que a pureza de vida é somente um meio para um fim; a pureza do corpo, sozinha, não leva à espiritualidade, assim como um violino não pode produzir boa música por si mesmo. Alguns fazem deste princípio um fetiche e é patético ver estas pessoas confinarem à esfera da cozinha todos os seus esforços para a espiritualização de suas vidas.

9. Religiosas

O vegetarianismo é prática muito antiga, salientado nos fundamentos das grandes religiões. Estudos realizados sobre o conteúdo dos intestinos de múmias do antigo Egito demonstram que sua dieta era composta basicamente de vegetais. Os egípcios são conhecidos como “comedores de pão”. As verdadeiras Escolas de Mistérios possuem a prática vegetariana. A comunidade de Pitágoras era vegetariana, inclusive Hipócrates, o Pai da Medicina. Preconizam o vegetarianismo os budistas, os hinduístas e os jainistas.
Disse o Senhor Buda: “feliz seria a terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só ingerissem alimentos que não implicam derramamento de sangue. Os dourados grãos, os reluzentes frutos e as saborosas ervas que nascem para todos bastariam para alimentar e dar fartura ao mundo”.
No Mahabharata encontramos: “aqueles que desejam possuir boa memória, beleza, vida longa com saúde perfeita, força física, moral e espiritual devem abster-se de alimentos cárneos”; e “virtude das mais sublimes consiste em não matar animais”.
A Bíblia contém muitas passagens em defesa do vegetarianismo: “bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer alguma coisa em que teu irmão ache tropeço” (São Paulo aos Romanos 14, 20-21); “ para as alimárias produzis o feno, e as plantas para o uso do homem” (Salmos 103, 14); … e tu terás por sustento as ervas da terra (Gênesis 3, 18); “eis aí vos dei eu todas as ervas, que dão as suas mementes sobre a terra; e todas as árvores que tem as suas sementes em si mesmas, cada uma segundo sua espécie, para vos servirem de sustento” (Gênesis 1, 29); “há sangue em suas mãos; lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal” (Isaías 1, 16).
\comunidades cristãs primitivas foram abstêmias de carne, como os essênios, nazarenos, terapeutas, gnósticos, e outras ordens, como os trapistas da França e, hoje, os adventistas. A regra de São Francisco de Paula exclui a carne, os ovos e o leite.
Platão, Plotino, Porfírio e os neoplatônicos defendiam o vegetarianismo. Clemente de Alexandria escreveu sobre o “estúpido costume de comer muito alimentos cárneos”. É seu dito: “ muitos homens vivem para comer, mas o verdadeiro sábio como para viver”. Confúcio disse: “pudesse todo aquele que ouvisse o grito de um animal sendo morto jamais comer de sua carne”.

Como ser um bom vegetariano

Embora a alimentação seja um fator importante para mantermos a saúde, ela não é o bastante por si só. Se uma pessoa é vegetariana, mas não toma sol e passa a vida sentada em ambientes confinados, se não mastiga direito, abusa de doces, de alimentos fritos ou gordurosos ou se, além disso, fuma ou usa bebidas alcoólicas (o que é raro entre os vegetarianos), ou, ainda, entrega-se a trabalhos excessivos e passa noites mal dormidas, evidentemente o seu vegetarianismo não valerá muito. Além disso, o fator moral e o equilíbrio sexual e emocional desempenham papel importantíssimo na saúde física e mental do indivíduo.
Se um bom vegetariano não é, simplesmente, suprimir a ingestão de carne. É necessário ter-se conhecimentos gerais acerca da ciência da nutrição, a qual, embora em desenvolvimento, já nos fornece um conjunto de conhecimentos fundamentais.

Outros pontos importantes
a serem considerados

. Coma calmamente, em ambiente tranqüilo e aprazível tanto quanto possível. Se estiver muito apressado, ansioso ou nervoso é melhor não fazer a refeição ou comer o mínimo.
. Mastigue bem os alimentos. Na saliva estão contidas enzimas (ptialina) essenciais ao processo digestivo.
. Não beba, ou beba o mínimo durante as refeições.
. Evite comidas e bebidas muito quentes ou geladas. Elas também perturbam a digestão.
. Procure com bom senso e gradualmente aplicar a seguinte regra genérica: utilizar alimentos crus, naturais, integrais e orgânicos, de fontes vegetais e não animais, e evitar alimentos cozidos, industrializados e refinados.
. Não misture muitos alimentos numa mesma refeição. Como disse Hipócrates, “os manjares muito variados e diferentes guerreiam entre si no corpo, porque um já está digerido enquanto que o outro ainda não está”.
. Procure aumentar seus conhecimentos a respeito da nutrição. É melhor um conhecimento deficiente que nenhum.
. Procure andar calmamente após as refeições. Sempre que possível busque estar ao ar livre, bem como banhar-se ao sol, ainda que por poucos minutos, de preferência na primeira parte da manhã ou à tarde, com sol não muito forte.
. Ao mudar qualquer hábito alimentar, sobretudo ao tornar-se vegetariano, faça-o progressivamente. Mesmo que seja apenas a mudança para o pão integral ou coisa simples assim, inicie com pequenas quantidades e aumente segundo sua tolerância.
. Principais vícios do vegetarianismo desinformado: excesso de comidas fritas e gordurosas e excesso de massas, farinhas e doces.

O que disseram grandes homens

“Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da humanidade”.
Albert Einstein

“Os animais são meus amigos … e eu não como meus amigos”.
George Bernard Shaw

“Se os matadouros fossem de vidro pouca gente comeria carne”.
Paul MCCartney

“Quanto mais o homem simplifica a sua alimentação e se afasta do regime carnívoro, mas sábia é a sua mente”.
George Bernard Shaw

“Ser vegetariano é discordar: discordar do curso que as coisas tomaram hoje. Fome, crueldade, desperdício, guerras – precisamos nos posicionar contra estas coisas. O vegetarianismo é minha forma de me posicionar”.
Isacc Bashveis Singer

“É fácil nos posicionar sobre um assunto remoto, mas revelamos nossa verdadeira natureza quando o assunto bate à nossa porta. Protestar contra touradas na Espanha ou o assassinato de foquinhas no Canadá e continuar comendo frangos que passaram a vida toda apinhados em gaiolas, ou carne de vitela de bezerros que foram separados da mã, de sua dieta apropriada e da liberdade de deitar-se com as pernas estendidas é o mesmo que denunciar o apartheid na África do Sul e ao mesmo tempo pedir a seus vizinhos brancos que não vendam a casa a negros”.
Peter Singer

“Tempo virá em que os seres humanos se contentarão com uma alimentação vegetariana e julgarão a matança de um animal inocente como hoje se julga o assassínio de um homem”.
Leonardo da Vinci

“Que luta pela existência ou que terrível loucura vos levou a sujar vossas mãos com sangue – vós, repito, que sois nutridos por todas as benesses e confortos da vida? Por que ultrajais a face da boa terra, como se ela não fosse capaz de vos nutrir e satisfazer?”.
Plutarco

“Há muito de verdade no dito de que o homem se torna aquilo que come. Quanto mais grosseiro o alimento, tanto mais grosseiro o corpo”.
Ghandi

“Não tenho dúvida que seja parte do destino da raça humana, na sua melhora gradual, deixar de comer animais”.
Henry David Thoreau

“A carne é o alimento de certos animais. Todavia, nem todos, pois os cavalos, os bois e os elefantes se alimentam de ervas. Só os que tem índole brava e feroz, os tigres, os leões etc., podem saciar-se em sangue. Que horror é engordar um corpo com outro corpo, viver da morte de seres vivos”.
Pitágoras

“Toda a filosofia antiga baseava-se em um estilo de vida simples. Nesse sentido, os poucos filósofos vegetarianos contribuíram mais para o bem estar do homem do que todos os outros juntos”.
Friedrich Nietzsche

“O destino dos animais tem muito mais importância para mim do que o medo de parecer ridículo: está indissoluvelmente ligado ao destino do homem”.
Émile Zola

“A estrutura do homem, externa e interna, comparada com a de outros animais, mostra-nos que as frutas e os vegetais suculentos constituem sua alimentação natural”.
Lineu

“Geralmente as pessoas usam como desculpa para continuar comendo carne o fato de que seres humanos sempre comeram carne. De acordo com essa lógica, não deveríamos tentar impedir pessoas de assassinarem outras já que esse comportamento acontece desde os tempos mais remotos”.
Isaac Bashevis Singer

“O homem implora a misericórdia de Deus mas não tem piedade dos animais, para os quais ele é um deus. Os animais que sacrificais já vos deram o doce tributo de seu leite, a maciez de sua lã, e depositaram confiança nas mãos criminosas que os degolam. Ninguém purifica seu espírito com sangue. Na inocente cabeça do animal não é possível colocar o peso de um fio de cabelo das maldades e erros pelos quais cada um terá de responder”.
Buda

“O comer carne é a sobrevivência da maior brutalidade; a mudança para o vegetarianismo é a primeira consequência natural da iluminação”.
Leão Tolstoy

“Os vegetais constituem alimentação suficiente para o estômago e, no entanto, recheamo-lo de vidas valiosas.”
Sêneca

“muitos tem pena, mas comem os objetos da compaixão que sentem”.
Oliver Goldsmith

“Como zeladores do planeta, é nossa responsabilidade lidar com todas as espécies com carinho, amor e compaixão. As crueldades que os animais sofrem nas mãos dos homens está além da nossa compreensão. Por favor, ajude a parar com esta loucura.”
Richard Gere

Vegetarianos
Anna Bônus Kingsford, Annie Besant, Apolônio de Tiana, Asoka, Bircher-Benner, Bob Dylan, Brigit Brophy, Brigitte Bardot, Buda, Carl Lewis, Carl Segan, Charlotte Bronte, Claudio Cavalcanti, Clemente de Alexandria, Confúcio, Cuvier, Darwin, Dave Scott, Doris Day, Éder Jofre, Edward Carpentier, Edwin Moses, Empédocles, Epicuro, Gandhi,
Friedrich Nietzsche, Geoffrey Hodson, George Bernard Shaw, George Harrison, Goethe, Gudrun Krökel Burkhard, Haekel, Helen White, Heródoto, H.G. Wells, Isaac B. Singer, Isadora Duncan, Jacob Boehme, jâmblico, Jesus, John Kellogg, John Wesley, Khalil Gibran, Kim Bassinger, Krishnamurti, Lady Dowding, Lao Tsé, Leibniz, Leonardo da Vinvi, Lineu, Louisa May Alcott, Lucélia Santos, Maeterlinck, Mahavira, Martina Navrtilova, Milton, Orígenes, Ovídio, Pascla, Paul Carton, Paul e Linda McCartney, Pitágoras, Platão, Plotino, Plutarco, Porfírio, Professor Hermógenes, Rabindranath Tagore, Richard Gere, Rita Lee, Roberto de Carvalho, Rousseau, Rudolf Steiner, São Basílio, São Franscisco de Assis, São Francisco de Paula, São João Crisóstomo, Sêneca, Shankaracharya, Schoppenhauer, Shelley, Sixto Linares, Sócrates, Spencer, Srila Prabhupada, Swedenborg, Sylvester Grahm, Tertuliano, Thomas Tryon, Thoreau, Tolstoy, Voltaire, Xenofonte, Zoroastro.

Curiosidades

. Os animais mais fortes da terra, tais como os elefantes, os gorilas, os cavalos e os bois, são todos vegetarianos.
. Os vegetarianos conquistam recordes atléticos.
. Único atleta a vencer o triatlo no Ironman mais de duas vezes; Dave Scott (venceu 6 vezes), um vegetariano.
. Milhões de pessoas na Índia, e em outros países, vivem, desenvolvem-se e multiplicam-se há milhares de anos sem provar carne de espécie alguma.
. Os únicos animais que vivem mais do que o homem, as tartarugas gigantes de Galápagos e da Ilhas Seychelle, são vegetarianos.
. O mamífero que tem vida mais longa, além do homem, é o elefante, um vegetariano.
. Os papagaios, que detem o recorde de longevidade entre pássaros, são vegetarianos.
. Os parentes mais próximos do homem, os grandes macacos, são vegetarianos.
. Os vegetarianos tem descontos no seguro de vida na Inglaterra.
Na Inglaterra, as escolas oferecem a opção de refeições vegetarianas.
. Mais de dez por cento da população inglesa é vegetariana. A cada semana cerca de 2.000 ingleses viram vegetarianos.
. Nos Estados Unidos, açougueiros não podem participar de júris criminais.
. Os países que mais consomem laticínios apresentam os índices mais altos de osteoporose.
. Os habitantes de Vilcabamba, Equador, vivem freqüentemente mais de cem anos: eles comem menos de 30 gramas de carne por semana.
. A cadeia de fast-food MacDonald’s foi obrigada a pedir desculpas publicamente a hindus vegetarianos por ocultar que produtos supostamente vegetarianos continham derivados animais. A empresa teve de doar 10 milhões de dólares a grupos apoiados por hindus como parte do acordo na justiça.
. Em 1992, apenas em 25% das escolas de medicina dos Estados Unidos existia um curso obrigatório de nutrição e só dois terços ofereciam nutrição como matéria opcional.

Finalizando

Aquele que se preocupa realmente em melhorar a si mesmo e com o destino da humanidade não se satisfaz apenas com teorias. Sente necessidade de promover mudanças positivas que influenciem a ordem do mundo. Isto significa que devemos mudar CONCRETAMENTE nossa vida naquilo que vamos percebendo como o melhor, e não ficar apenas no proselítismo.
Disse o Senhor Buda que não devemos crer em algo meramente porque seja dito; nem em tradições porque vêm sendo transmitidas desde a antiguidade; nem em rumores; nem em textos filosóficos, porque foram estes que os escreveram; nem porque pareça ser uma necessidade lógica; nem devemos crer na mera autoridade de nossos instrutores ou mnestres. Entretanto, devemos crer quando o texto, a doutrina ou os aforismos forem corroborados pela nossa própria razão e consciência. “Por isso”, disse Buda, ao concluir, “vos ensinei a não crerdes meramente porque ouviste falar, mas, depois que crerdes a partir de vossa consciência, deveis agir em conformidade e intensamente”.

Marly Winckler, socióloga, tradutora, Secretária Regional para a Americana Latina da União Vegetariana Internacional (IVU), com sede na Inglaterra (www.ivu.org/global/latinam/index.htlm). Vegetariana desde 1982, criou o Sítio Vegetarianao (ww.vegetarianismo.com.br) e modera listas de discussão sobre vegetarianismo veg-brasil e veg-latina.
Correspondência:
Servidão do Nilton, 412
Praia de Cacupé
88050-170-Florianopólis-SC Brasil
e-mail: nwinckler@zaz.com.br

Os Limites do Veganismo

Segundo as escrituras védicas, estamos vivendo dias de kali yuga, ou seja, a era de ferro em sânscrito.
Os Vedas nos dizem que nessa era o que impera é a ganância, o materialismo, a hipocrisia e o total declínio dos valores morais.
Não é preciso ser hindu e nem iniciado na literatura védica e muito menos espiritualistas para se atestar que vivemos mesmo em um tempo em que os valores morais estão degradados. Basta uma breve olhada nos jornais diários, na programação das TVs, nas relações humanas para enxergar essa verdade.
Mas, o que tem isso a ver com o estilo de vida dos veganos? Tudo, já que o veganismo prega a ética em nossas relações com os outros seres vivos que dividem conosco esse planeta.
Todos sabem que o veganismo não é um fim em si mesmo, mas um processo, pois ser 100% vegano é impossível. Impossível porque por mais que evitemos consumir produtos de origem animal trocando-os por outros sintéticos ou vegetais, estaremos muitas vezes somente trocando de explorados.
Vou exemplificar, nos recusamos a consumir mel, pois a maneira como são exploradas as abelhas para esse fim é algo extremamente cruel. Então substituímos o mel pelo melado de cana e podemos encostar nossa cabeça no travesseiro e dormir sossegados. Mas, se formos mais a fundo na produção da cana, vamos perceber que ela impõe uma cadeia enorme de exploração e morte. Porque podemos consumir o melado de cana e o mel não, se estamos apenas trocando o objeto da exploração?
E assim acontece com muitos outros produtos. O computador que estou usando para escrever esse artigo tem componentes que são de origem animal. O carro, o ônibus, o metrô que nos leva pra lá e pra cá, também. Sem citar as roupas, papel, enfim, praticamente tudo.
Diante disso, reitero minha colocação de que é impossível ser 100% vegano.
Então, já que não dá para ser 100% então que sejamos o máximo que conseguirmos. Só que esse máximo pode variar de pessoa para pessoa. Até o vegano mais radical, não pensará duas vezes ao se utilizar de um remédio alopático, que foi testado em animais, para amenizar sua dor ou salvar sua vida, afinal seu veganismo também tem um limite.
Achar que o patamar em que chegamos é o ideal que todos devem alcançar é uma ilusão. Pois o ideal está longe de ser atingido por qualquer mortal. Mas, nossa arrogância e intolerância não nos deixa enxergar isso. É uma pena que alguns veganos se deixem levar por um complexo de salvadores do mundo – se todos agissem como eu, o mundo seria maravilhoso – como se isso fosse a única coisa a ser contabilizada.
O importante é perceber que todos nós temos nossos limites e transpô-los muitas vezes é algo muito complicado, pois passa por questões sociais, educacionais, familiares, psicológicas, filosóficas e outras tantas. Mesmo assim vale a pena tentar ir além tanto na questão do veganismo como nas questões de tolerância e compreensão do outro e de nós mesmos.
Fonte: Sagrada Tulasi – Blog